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Homens negros tem 3,5 vezes mais chances de serem assassinados do que brancos, revela pesquisa

19 de novembro de 2022 às 08:00

CE e RN são os estados onde mais homens negros foram vitimados pela violência armada em 2020; estudo do Instituto Sou da Paz analisa papel da arma de fogo na vitimização de homens negros entre 2012 e 2020, vítimas majoritárias da violência armada no Brasil

A violência armada no Brasil atinge majoritariamente homens negros e principalmente jovens. Este foi o grupo que teve 80% mais vítimas por armas de fogo, em 2020. Esta disparidade racial evidenciada pela violência armada é ainda maior nas regiões metropolitanas, onde as taxas de homicídio por arma de fogo são mais expressivas, e o índice de homicídios de homens negros pode ser até 30 vezes maior do que a de homens brancos, como ocorre em estados da região Nordeste.

Essas foram algumas das descobertas do estudo “Violência Armada e Racismo: O Papel da arma de fogo na Desigualdade Racial”, produzido pelo Instituto Sou da Paz. Pelo segundo ano consecutivo, o Instituto se debruçou na análise das informações produzidas pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade/Datasus entre 2012 e 2020 com objetivo de monitorar a presença da arma de fogo nas altas taxas de mortalidade violenta observadas na população negra, especialmente entre os homens. A análise constatou que, no período, quase 338 mil homens negros foram assassinados no Brasil e, destes, mais de 254 mil foram vítimas de armas de fogo (75%).

“O objetivo da pesquisa foi levantar subsídios para que possamos compreender como a violência armada endossa a desigualdade racial que se apresenta de modo estrutural na sociedade brasileira”, comenta Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz.

De acordo com a análise, o aumento da taxa de homicídios em 2020, após a expressiva redução observada nos dois anos anteriores, decorreu do aumento na vitimização de homens negros, que subiu 10% nas regiões metropolitanas e 14% nas áreas não metropolitanas.

Mais vitimados nas capitais e regiões metropolitanas

As regiões metropolitanas se destacam pela maior prevalência dos homicídios por arma de fogo. A taxa de homicídios por arma de fogo é 3,5 vezes maior entre os homens negros em comparação com os não negros, nas regiões metropolitanas do país.

Em praticamente todos os estados brasileiros (24 de 26, desconsiderando o DF), a participação da arma de fogo é maior do que outros instrumentos de agressão, como armas brancas, por exemplo. A exceção foi o Paraná, estado que fica na região que tem o menor número de pessoas autodeclaradas negras no país. Em média, nas regiões metropolitanas do Brasil, a cada 4 homicídios, 3 envolvem armas de fogo, ou seja, 75%. Essa proporção diminui para 68% no recorte das cidades que não pertencem às regiões metropolitanas e não são capitais. Os estados do Ceará e Rio Grande do Norte foram onde mais homens negros foram vitimados pela violência armada em 2020, conforme imagem:

Local da agressão

A pesquisa traz ainda um olhar sobre o contexto onde a agressão armada ocorre. Em 2020, 69% dos homens sofreram ataque armado fatal fora de casa, sobretudo na rua, com taxa 3,8 vezes maior para os homens negros (35,6 homicídios por grupo de cem mil homens negros) em comparação com os não negros (9,4 homicídios por grupo de cem mil homens não negros). Para 12% dos homens, a agressão armada ocorreu em casa, com taxa 3,1 vezes maior para os homens negros (4,8 homicídios por grupo de cem mil homens negros) em comparação com os não negros (1,6 homicídios por grupo de cem mil homens não negros).

Para Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, esta análise oferece pistas sobre as dinâmicas da violência armada nas regiões metropolitanas.

“Observamos que grande parte dos homicídios de homens ocorrem fora de casa (69%), sobretudo nas ruas, o que dá pistas sobre a dinâmica dos conflitos que resultam nessas altas taxas de mortalidade por arma de fogo que vitima especialmente jovens negros”, comenta Cristina Neme, coordenadora de projetos do Instituto Sou da Paz. “Os homens negros morrem muito mais nas ruas do que os homens brancos e essa diferença reflete a desigualdade racial que torna os homens negros muito mais vulneráveis à violência armada que resulta de conflitos criminais e exige enfrentamento pelas políticas públicas”, diz.

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