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Folha de S. Paulo | Bolsonaro nos quer armados, e mortos

7 de junho de 2020 às 12:59

São ditaduras, não democracias, onde líderes sentem prazer na morte

Por Thiago Amparo (leia a coluna de opinião publicada na Folha de S. Paulo)

Premissa: e se o Presidente da República não somente ignora mortes, mas nelas sente prazer? Suponhamos, por um segundo, que estejamos sendo governados por um presidente clinicamente sádico com traços de sociopatia. Aceita a premissa, pergunto, em seguida: sociopatia dá impeachment? Se ocultar dados em uma pandemia em ascensão ou armar a população num país com taxas endêmicas de violência armada não forem atos sádicos, não sei o que mais eles seriam.

Presidente, 22 de abril de 2020: “É escancarar a questão do armamento aqui. Eu quero todo mundo armado. Povo armado jamais será escravizado.” Irônico vindo de um governo que entende escravidão como benéfica, vide Sergio Camargo. “Estou armando o povo porque não quero uma ditadura.” Irônico, novamente, vindo de um governo que celebra a ditadura, vide Ustra. No último dia 5, o presidente ligou os pontos: “[isentar importação de armas de impostos] é uma boa medida que vai ajudar a todo o pessoal dos Artigo 142 e 144 da nossa Constituição”. Qual outra interpretação os juristas saudosos de 1964 nos venderão desta vez para dizer que esta frase não passa de uma platitude?

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O sujeito da frase, o tal “pessoal”, sequer é um sujeito oculto. São os policiais que esmagam protestos pró-democracia ou elevam letalidade policial em meio a uma pandemia, são os cidadãos de bem que fizeram feminicídios e mortes no campo aumentarem exponencialmente desde 2019. “Homens puros, grandes e verdadeiramente políticos não são os que obedecem à lei, mas o que se antecipam a ela”, escreveu ironicamente Machado de Assis em uma crônica de jornal em 1888. Antecipados, os sujeitos ocultos do bolsonarismo armado já aterrorizam.

E aqui mora o perigo maior. Se Bolsonaro fosse apenas um sádico a espumar solitário no Palácio do Planalto, até que as instituições resistiriam. Não é o caso. Em desarmamento, Bolsonaro tem sido extremamente eficaz. O governo ampliou o acesso a armas de fogo antes de uso restrito, reduziu o controle sobre compra de armas pelas forças de segurança, e expandiu porte de arma de fogo por guardas municipais, conforme Instituto Igarapé e Instituto Sou da Paz.

A tática tem sido bem-sucedida, se violência for o objetivo deste governo. Revogar normas de rastreamento e identificação de armas, como fez Bolsonaro em abril, somente beneficia milícia e crime organizado. O jornal O Globo mostrou que a compra de munição por cidadãos com direito a porte ou posse aumentou em 98% entre janeiro e maio deste ano. É urgente fortalecer rastreamento de armas ilegais por meio da marcação universal de munições, monitorar melhor armas via sistemas da PF e do Exército, e manter a restrição ao porte civil e requisitos de compra pra evitar que armas cheguem às mãos erradas.

Bolsonaro postou nas redes sociais, nesta terça-feira (28), um vídeo no qual aparece em um clube de tiro, ao lado de um alvo, comentando a própria pontaria. "Dez tiros, o pior foi oito, tá bom, né?", disse, referindo-se à própria pontuação
Bolsonaro postou nas redes sociais, em abril, um vídeo no qual aparece em um clube de tiro, ao lado de um alvo, comentando a própria pontaria. “Dez tiros, o pior foi oito, tá bom, né?”, disse, referindo-se à própria pontuação – Reprodução/Jair Bolsonaro no Facebook

Bolsonaro postou nas redes sociais, em abril, um vídeo no qual aparece em um clube de tiro, ao lado de um alvo, comentando a própria pontaria. “Dez tiros, o pior foi oito, tá bom, né?”, disse, referindo-se à própria pontuação

Bolsonaro reproduz retórica da extrema direita de que democracias dependem de população armada. Não é verdade. Lista dos países com maior armamento entre civis pela organização Small Arms Survey conta com países repressivos como Arábia Saudita e Iraque. Trata-se mais de uma importação da retórica bélica dos EUA, que desponta como número um na lista, do que um nexo causal entre armas e democracia. Pelo contrário, na última década, triplicaram os casos de ataques armados nos EUA. Escolas, empresas, igrejas foram alvejadas: 526 mortos desde 2010.

Em armamento, Bolsonaro não tem o povo ao seu lado. 72% da população é contra armamento, nos diz Datafolha. Ou instituições acordam de seu sono profundo ou continuaremos a ser governados por um presidente que pensa que a democracia é meia dúzia de manifestantes armados em Brasília.

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