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Jovens da Fundação CASA propõem agenda e música com Instituto Sou da Paz para enfrentar violência letal contra juventude negra

21 de setembro de 2022 às 12:34

Projeto deu voz a realidades e anseios de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa no complexo Vila Maria

Mais ética nas abordagens policiais, assim como uso de câmeras corporais pelo efetivo. Igualdade de oportunidades para a juventude negra, o fortalecimento de familiares de adolescentes e jovens em vulnerabilidade e uma escola que valorize a diversidade e a história dos estudantes. Essas são algumas das 16 propostas de 20 adolescentes, jovens eleitores com idade a partir de 16 anos, internados na Fundação CASA, em São Paulo, para o Poder Público enfrentar a violência letal contra a juventude negra. As proposições constam no documento do 1º ciclo do projeto Agenda Juvenil de Prevenção à Violência Letal contra a Juventude Negra, realizado pelo Instituto Sou da Paz e lançado na última sexta-feira (16), em um evento na Fundação Casa complexo Vila Maria, na zona leste de São Paulo.

Acesse a Agenda Juvenil de Prevenção à Violência Letal contra a Juventude Negra

Além da agenda, um grupo de 20 adolescentes participantes do projeto, internados no CASA São Paulo, escreveram um poema e a cypher (música gravada por três ou mais MCs) “Paz na Favela”, cuja a letra foi inspirada em suas realidades, que foi lançada nas plataformas digitais.

Ouça a cypher Paz na Favela (Disponível também em todas as plataformas digitais)

As vozes de quem fez

“O projeto Agenda Juvenil de Prevenção à Violência Letal contra a Juventude Negra tem por objetivo engajar jovens no debate sobre segurança pública, por intermédio de rodas de conversas e oficinas de construção coletiva, que usam a arte como forma de expressão”, conta Danielle Tsuchida, coordenadora do projeto no Instituto Sou da Paz. Para ela, desenvolver esse primeiro ciclo com jovens a quem se atribuiu a prática de ato infracional foi extremamente rico e cheio de aprendizados. “Os jovens trouxeram suas experiências de vida, as dificuldades na escola e na comunidade para subsidiar as discussões e, com isso, pensar nas soluções de prevenção à violência letal. Cada encontro era permeado por um bom debate e depois regado a muita rima e ritmo nas oficinas, o que também permitiu a produção da música Paz na Favela”, conta.

Para o secretário da Justiça e Cidadania e presidente da Fundação CASA, Fernando José da Costa, os elementos trazidos pelos jovens participantes, todos com idade para votar, podem ser indicativos para as políticas públicas. “A Constituição Federal prevê a participação democrática tanto por meio de representantes quanto diretamente e, por meio do projeto, os adolescentes trouxeram suas demandas e posicionamentos, que podem ser reverberados”, avalia Fernando José da Costa.

As entrevistas abaixo foram realizadas no evento de lançamento e trazem nomes fictícios para preservar a identidade dos jovens participantes, de acordo com o artigo 143 do Estatuto da Criança e do Adolescente.

Matheus, 18 anos, é a primeira voz que aparece cantando na cypher e conta que escreve músicas e poesia há três anos e que a experiência de gravar uma canção foi única. “Estou na Fundação há um ano e sete meses, aqui escrevi um monte de músicas e poemas. No projeto contribuí com a letra e com críticas, dei meu ponto de vista, e quando sair quero dar continuidade à carreira musical”.

Para ele, tanto a elaboração da agenda de propostas quanto a construção da música plantaram uma semente no grupo de adolescentes que fizeram parte do projeto.

“Depois que o Sou da Paz chegou na Fundação, os meninos debateram e falaram mais sobre lutar contra a letalidade da juventude negra, além de conversar sobre poesia e música”, conta. “Passamos a ver que independentemente de qualquer coisa somos iguais”, diz.

Fábio, 19 anos, concorda que elaborar conjuntamente com outros jovens como ele a Agenda Juvenil e também a produção da música o fez perceber que as vozes deles importam. “Muitos aqui já pensavam sobre a realidade da qual a gente vem, mas o projeto ajudou a dar voz, fez a gente perceber que precisamos melhorar o mundo que a gente vive”. Ele, que sonha ser professor de sociologia e filosofia, pretende espalhar o pensamento sobre a letalidade da juventude negra para outros jovens quando deixar a Fundação e se sente feliz e triste com o final do projeto. “Por causa do vínculo que foi criado com o Sou da Paz e entre nós, me sinto triste que acabou e satisfeito de ter feito parte”.

Já Fernando, 17 anos, quer contar o que aprendeu para a família, amigos e até para os futuros filhos. “Quero falar que a nossa voz importa”, diz. Ele conta que também percebeu que os conteúdos das formações mediadas, que passaram por temas escolhidos por eles, como violência policial, racismo e gênero, deixaram sementes: “Percebi que os meninos ficaram mais calmos, o bullying e as ofensas racistas entre nós reduziu”, diz.

Divulgação/Marcelo Machado

Sobre o projeto

A Agenda Juvenil resulta de um edital de emendas parlamentares e tem objetivo de engajar jovens no debate da segurança pública, para que auxiliem, a partir de suas vivências, a prevenir e enfrentar a violência letal contra a juventude negra. 

A iniciativa se divide em três ciclos: um na Fundação CASA; o segundo com adolescentes e jovens do bairro de São Mateus, na zona Leste da capital; e o terceiro com o público da Brasilândia, na zona Norte. No final dos ciclos, as propostas serão sistematizadas em conjunto e apresentadas a representantes do Poder Público.

Os encontros de debates e formação com os adolescentes do CASA São Paulo aconteceram entre o segundo e terceiro semestres deste ano, e abordaram questões como racismo estrutural, violência de gênero, desigualdade social, controle de armas, abordagem policial, dentre outros.

Informações à imprensa:

Denilson Araujo de Oliveira – (11) 97282-6691

Izabelle Mundim – imprensa@soudapaz.org

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