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Minas lidera apreensões de armas no Sudeste, diz estudo

Minas Gerais foi o Estado da região Sudeste que mais apreendeu armas de fogo em 2014. Foram 21.256 unidades, 38% do total e quase dez vezes mais do que as 2.257 armas vendidas no comércio legal, no mesmo período.

Os dados são da última pesquisa divulgada nessa segunda-feira (24) pelo Instituto Sou da Paz, com base nas informações fornecidas pela Polícia Militar do Estado.

O coordenador da área de Sistemas de Justiça e Segurança Pública do órgão, Bruno Langeani, enumera três hipóteses para explicar a posição mineira. “A fiscalização pode estar sendo mais ostensiva ou pode ter crescido a circulação de armas, mas, além disso, em Minas existe uma bonificação aos policiais por cada arma apreendida, coisa que não acontece nos outros Estados”, afirma.

Para Langeani, conhecer de onde vêm as armas utilizadas no crime é fundamental para evitar que cheguem ao mercado ilegal e abasteçam as mais diversas modalidades criminais. “A maioria das armas é curta, de porte (aquelas de dimensões e peso reduzidos), utilizada para o crime comum: roubo a transeuntes e veículos, saidinha de banco e homicídios”, diz.

Das mais de 18 mil armas analisadas pelo Instituto em MG, 49,4% eram revólveres (uma em cada duas), 29,7% de calibre 38, e a maioria de fabricação nacional. O Estado também foi o que mais teve armas artesanais de fabricação caseira apreendidas, cerca de 2.694.

Diante dessas características, o coordenador do Instituto Sou da Paz acredita ser preciso repensar as políticas de desarmamento e apreensão utilizadas. “As armas fabricadas e comercializadas no Brasil em algum momento estão sendo desviadas para as mãos de criminosos, ou seja, se as autoridades ficarem só adotando medidas nas fronteiras, continuarão tendo uma atuação limitada. Qual o tipo de política está sendo feito em Minas não só para tirar as armas de circulação e reduzir o poder de fogo, mas também para identificar as principais fontes de desvio e ter uma atuação preventiva?”, questiona.

Procurada, a Secretaria de Estado de Defesa Social informou que um posicionamento poderia ser dado pela Polícia Militar. No entanto, até o fechamento desta edição, a PM mineira não havia respondido o pedido de informações da reportagem.

Brasil. Uma análise mais aprofundada dos números mostra que o porte de armas ilegais pode ser considerado um problema de segurança pública no país. Em 2014, das 56.804 mortes por agressão, 71% (40.369) tiveram a utilização de armas de fogo. E é na região Sudeste que se concentra 42% da população brasileira e 48% das 118.379 armas apreendidas em 2014.

No Rio de Janeiro, a quantidade de armas de calibre restrito chega a quase um quarto do total apreendido. “Não por outro motivo se vê um número maior de confrontos, o que infelizmente contribui para que seja o Estado da federação em que mais policiais morrem no trabalho. Se tem mais armas de uso restrito, os criminosos têm mais condições e incentivos de enfrentar polícia”, explica Langeani.poder_de_fogo.[1]