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NOTÍCIAS

O Globo | Faroeste carioca

2 de outubro de 2020 às 03:18

Por Bernardo Mello Franco (leia a matéria publicada no O Globo, mencionando a pesquisa “Onde Mora a Impunidade” do Instituto Sou da Paz)

O chefe da polícia, pelo jornal de domingo, mandou avisar: Wilson Witzel caiu, mas a política do bangue-bangue continuará em vigor no Rio.

Em entrevista ao GLOBO, o delegado Allan Turnowski exibiu um catálogo de velhas ideias para a segurança pública. Ele deixou claro que pretende insistir nas operações espetaculares, com direito ao uso de helicópteros e tanques de guerra.

O novo secretário da Polícia Civil explicou seu plano para as favelas como se estivesse diante de um tabuleiro de War. “Se eu pudesse, não usava o blindado, mas tanques. Pois os colocaria no alto de uma comunidade e dali tomaria de cima para baixo”, disse.

O delegado acrescentou que vai reforçar o ataque aéreo a territórios vistos como inimigos. “Não usaria só um helicóptero, mas dois ou três”, empolgou-se. Faltou dizer se ele pretende imitar o coronel Kilgore de “Apocalypse Now”. No filme, o personagem instala alto-falantes nos helicópteros e toca Wagner enquanto os soldados bombardeiam uma aldeia do Vietnã.

O discurso linha-dura é típico de demagogos como Witzel, que semeiam o medo para colher votos. O ex-juiz se elegeu com a promessa de abater criminosos com um “tiro na cabecinha”. Em menos de dois anos, foi varrido do cargo num escândalo de corrupção.

Se as megaoperações acabassem com o crime, o Rio seria a cidade mais pacata do mundo. A experiência tem demonstrado o contrário. A aposta no espetáculo aterroriza os moradores das favelas, aumenta as mortes de inocentes e incentiva os bandidos a se armarem cada vez mais.

Na segunda-feira, um estudo do Instituto Sou da Paz informou que o Rio de Janeiro tem a pior taxa de solução de homicídios do país. Apenas 11% dos casos resultam numa denúncia aos tribunais. Um desempenho sofrível diante de vizinhos como Espírito Santo (42%) e São Paulo (54%).

Um secretário interessado em asfixiar o crime deveria focar em inteligência, direcionando investimentos para investigação e perícia. Na estreia, Turnowski preferiu a velha fórmula do faroeste.

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