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MATÉRIAS

Violência made in Brazil

Clique aqui para ler a reportagem completa publicada pelo Diário de São Paulo em 21 de agosto de 2013

por ÁLVARO MAGALHÃES

Duas em cada três armas apreendidas com pessoas presas em flagrante na cidade de São Paulo são fabricadas no Brasil, aponta levantamento do Instituto Sou da Paz.

A maior parte é da marca Taurus – empresa nacional com sede no Rio Grande do Sul. Em segundo lugar, aparecem as armas Rossi, incorporada pela Taurus na década de 1990.

Os dados – divulgados anteontem no boletim “As armas do crime” – fazem parte do desdobramento de uma pesquisa lançada pela entidade no ano passado sobre as prisões em flagrante no município.

Entre abril e junho de 2011, os pesquisadores do Instituto analisaram, no Tribunal de Justiça de São Paulo, os documentos relativos a prisões de 4.559 pessoas. No total, foram apreendidas 466 armas de fogo.

O estudo mostra que a maior parte dos presos com armas na cidade é jovem, com idade entre 18 e 25 anos, acusado de praticar roubo. Na maioria das vezes eles usaram armas curtas, como revólveres e pistolas, na ação.

O segundo motivo da prisão em flagrante de pessoas armadas é justamente a desobediência ao Estatuto do Desarmamento – ou seja, são detidos flagrados com armas sem permissão para portá-las. Quase metade dos detidos com armas tem antecedente criminal.

Numeração
A pesquisa aponta ainda que 40% do armamento apreendido não tem a numeração raspada – o que possibilita o rastreamento da arma do momento da venda até cair nas mãos do acusado.

A busca pode ser feita por autoridades policiais por meio do Infoseg (sistema criado pelo Ministério da Justiça que integra dados do governo federal e dos governos estaduais).

O estudo mostra uma proporção considerável de simulacros (réplica) apreendidos. Para cada três armas de fogo apreendidas, há uma arma de brinquedo – a maioria fabricada na China.
Nas prisões em flagrante, é mais frequente encontrar simulacros do que armas brancas, como facas.

ENTREVISTA
Bruno Langeani, coordenador de Sistemas de Justiça e Segurança Pública do Instituto Sou da Paz
‘O tráfico internacional é superdimensionado’

Diário – O fato de a maioria das armas apreendidas ser de fabricação nacional derrubaa tese de que o tráfico internacional é a principal fonte de armas para criminosos?
Bruno Langeani – Eu creio que sim. Essa tese do tráfico de armas é muito repetida, mas uma série de pesquisas, além da nossa, mostra que a maioria das armas ilegais no país é de fabricação nacional. Isso não significa que o problema do tráfico internacional não exista, mas ele é superdimensionado.

Mas há a possibilidade de que essas armas nacionais apreendidas com os acusados tenham sido exportadas e retornado ao país via tráfico?
Essa possibilidade existe. Tempos atrás houve notícias sobre a “exportação bumerangue” – armas que iam ao Paraguai e retornavam ao país pela fronteira. Mas a Polícia Federal tem reforçado a fiscalização. De qualquer forma, a pesquisa mostra que a principal fonte do problema das armas no crime é interna.

Boa parte do armamento apreendido não tem a numeração raspada. O que dificulta o levantamento da origem dessa parcela de armas?
Eu creio que falta uma normativa interna nas polícias brasileiras sobre o procedimento a ser seguido quando uma arma é apreendida. Não falo especificamente da polícia paulista, mas do Brasil como um todo. Com o Infoseg, fazer o rastreamento não é difícil.

A maioria do armamento apreendido é de arma curta, como revólveres e pistolas. São armas mais fáceis de adquirir?
São mais fáceis de adquirir e de esconder também. Mas, dias atrás, houve uma apreensão grande de armas pesadas na região do Jardim Mirna. Esse tipo de apreensão também é importante. Ela é diferente da apreensão feita no varejo. É fruto de investigação. Antes do Estatuto do Desarmamento não se falava em quadrilhas que alugavam armas porque a circulação de armas no país era grande e esse “negócio” não era viável. Agora, há esse tipo de crime, que deve ser investigado.

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