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MATÉRIAS

Criminosos furtam 20% das armas adquiridas por empresas de segurança, mostra estudo

Matéria publicada pela Folha de S. Paulo, no dia 28 de abril de 2010.

FERNANDA PEREIRA NEVES
da Reportagem Local

Levantamento divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto Sou da Paz mostra que mais de 20% das armas adquiridas por empresas de segurança privada são furtadas posteriormente.

Apenas no Estado de São Paulo, a pesquisa registra 97.549 armas adquiridas desde a criação do Sisvip –sistema de cadastramento de armas destinado às empresas de segurança privada. Desse total, 69.613 armas permaneciam em poder dessas empresas em março deste ano, enquanto 21.240 tinham sido furtadas ou roubadas. Outras 7.000 armas, aproximadamente, foram apreendidas, perdidas ou recolhidas durante campanha.

De acordo com o relatório, os números de furtos mostram como o segmento necessita de controle rigoroso e destaca que, a partir dos dados, ‘podem surgir teses que apontam que muitas empresas de segurança servem de fachada para organizações criminosas ou para facilitar o acesso destas às armas de fogo’.

Apesar da afirmação do documento, o diretor do instituto, Denis Mizne, afirmou que ‘não é possível afirmar que as empresas agem de má-fé’, mas destaca que deve haver investigação.

Já o diretor do Sesvesp (Sindicato das Empresas de Segurança Privada de São Paulo), Victor Saeta, afirma que o relatório é absurdo. “Dizer que a segurança privada fornece armas é um absurdo, até porque a arma utilizada pela segurança privada [na maior parte das vezes revólver calibre 38] não são de interesse do crime organizado”, afirma ele.

“As armas utilizadas pelas empresas de segurança privada são muito controladas pela Polícia Federal com relatórios entregues semestralmente”, ressalta. De acordo com Saeta, os agentes de segurança nunca ficam com as armas quando não estão em serviço.

O documento apontou ainda que de 10 mil armas apreendidas com criminosos pela Polícia Civil do Rio entre 1998 e 2003, 17% pertenciam a empresas de segurança privada. O mesmo levantamento não foi feito com as armas apreendidas em São Paulo.

Apenas em São Paulo, cidade com maior número de empresas de segurança privada, há 13 cursos de formação de vigilantes, 24 empresas de transportes de valores e vigilância e outras 466 empresas de segurança orgânica –seguranças de shopping–, segundo levantamento da Polícia Federal incluso no relatório.

Pesquisa

A pesquisa foi realizada entre 2008 e 2009 e incluiu dados de dez Estados: São Paulo, Rio, Minas, Paraná, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Ceará, Pernambuco, Pará e Distrito Federal.

Já os dados sobre as armas registradas pelas empresas de segurança privada foram adquiridos com a Polícia Federal –responsável pela fiscalização desse tipo de empresa.

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