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CNN Brasil | Feminicídio cresce em SP e passa a se concentrar em dias de semana, diz estudo

30 de abril de 2020 às 11:28

Reportagem sobre levantamento do Instituto Sou da Paz originalmente publicada no portal da CNN Brasil

André Catto Da CNN, em São Paulo

Violência contra a mulher

Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil

Vinte casos de feminicídio foram registrados em São Paulo em março deste ano, o que torna este o segundo mês mais violento contra as mulheres nos últimos 15 meses. O número só fica atrás de dezembro de 2019, quando foram contabilizadas 27 vítimas no estado.

Os dados, que foram analisados pelo Instituto Sou da Paz e enviados com exclusividade à CNN, mostram, no entanto, um indício de mudança no comportamento dos agressores. Se os finais de semana concentravam a maioria dos casos de violência contra a mulher, as ocorrências passaram a ser registradas também de segunda a quinta-feira. 

Das 20 mortes registradas em março deste ano, nove ocorreram durante os dias úteis, sendo três delas nos primeiros dias de quarentena no estado. A alteração na dinâmica da violência tem relação direta com os efeitos do novo coronavírus no comportamento social, indica o estudo. Para a diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, há um conjunto de situações que pode estar contribuindo para este cenário.

“Além de os agressores permanecerem por mais tempo dentro de casa com as vítimas, fatores como insegurança econômica e crise financeira, aliados ao consumo de álcool, tendem a agravar o contexto agressivo”, diz Carolina. “A convivência diária, de fato, agrava a situação. Você não separa mais semana e fim de semana, contribuindo para mudanças nos números”, explica.

Para a pesquisadora, uma forma de minimizar os efeitos da violência contra as mulheres – especialmente em tempos de pandemia – é fortalecer as redes de apoio e conscientização. “É fundamental a criação de campanhas e canais para facilitar as denúncias.” Outra medida importante, afirma, é a estruturação de abrigos.

Assassinatos

A mesma dinâmica se reflete nos homicídios dolosos. Assim como nos casos de feminicídio (assassinato de mulheres pelo fato de serem mulheres), março deste ano teve o segundo maior número de assassinatos nos últimos 15 meses, com 296 casos registrados – atrás apenas de dezembro do ano passado, que somou 310 vítimas. Nesse tipo de crime, a violência seguiu a mesma tendência, com maior distribuição ao longo da semana.

De acordo com o estudo, “normalmente, esses são os dias em que as pessoas socializam e nos quais podem surgir conflitos violentos que culminam em assassinatos. No entanto, nos dias após o início da quarentena o que se viu foi uma certa homogeneização dos dias de ocorrências dos homicídios”.

Carolina Ricardo, entretanto, pondera ser necessário maior rapidez nas investigações e na qualificação dos crimes cometidos. “Assim, é possível analisar com mais precisão o que está impactando ou não nessa mudança.” 

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