Lançado o 1º Relatório de Cidadania

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Em outubro de 2001, aconteceu o lançamento do 1º Relatório de Cidadania, produzido pelos jovens participantes do projeto Observatório de Direitos Humanos.

 

O evento aconteceu no Anfiteatro da Universidade de São Paulo e contou com a presença de lideranças comunitárias, especialistas em direitos humanos e representantes do poder público, como o vice-prefeito da cidade de São Paulo Hélio Bicudo.

Cenafoco com novas turmas em SP

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Em outubro de 2001, 60 jovens do Capão Redondo, 30 do Jardim Ângela e 30 da Brasilândia iniciaram o curso de formação de agentes sociais promovido pelo Cenafoco e coordenado pelo Instituto Sou da Paz. Os jovens foram selecionados por participar de organizações comunitárias de seus bairros.

 

Este foi o segundo grupo que o Instituto Sou da Paz acompanhou na cidade de São Paulo.

 

Lembranças do lado de lá

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Ana Paula, Cléia, Daniela, Luciana, Marcileide, Marli, Priscila, Roberto, Rogério, Rui, Valteir e Viviane têm muita coisa em comum. São todos jovens, pobres, moradores de bairros da periferia da zona sul de São Paulo e, principalmente, autores do Relatório de Cidadania. A obra reúne, em alguns números e muitos depoimentos, um generoso apanhado do que os jovens do subúrbio pensam sobre os direitos humanos que teoricamente lhes cabem. Recém saído da gráfica e a caminho das autoridades, merece um lugar na mesa de trabalho – senão na mesa de cabeceira - de qualquer candidato a governar uma cidade ou um estado do Brasil. Aliás, é útil a quem pretende governar o país.

Os garotos se valeram de alguma metodologia científica e muito jogo de cintura para ouvir centenas de outros jovens em seus respectivos bairros. O projeto Observatório de Direitos humanos foi imaginado pelo pessoal do Núcleo de Estudos da Violência da USP e realizado em parceria com o Instituto Sou da Paz. Juntos, deram aos garotos o suporte acadêmico e financeiro para ir atrás das respostas.

No começo, os jovens aplicaram questionários para descobrir qual era para seus pares o direito mais usurpado. No Jardim Ângela, ganhou a segurança. No Capão Redondo, o acesso à cultura e ao lazer. Trabalho e desemprego foi a escolha do Jardim Jacira. Na favela de Heliópolis, a educação. Sabendo disso, foram atrás das entrevistas com uma desenvoltura pouco vista em outros pesquisadores. A razão é simples: morando no lugar e fazendo parte das mesmas turmas, são capazes de analisar os problemas e discutir propostas com uma intimidade que os forasteiros levariam a vida inteira para conseguir.

Lembranças do lado de lá – Jardim Ângela

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O caso da estudante secundária Marli Maria da Silva, de 21 anos, é exemplar. Há cinco anos, ela deixou a escola no primeiro ano do colegial, depois que um dos seus poucos amigos foi assassinado. E isso a credencia a falar dos medos e os problemas de jovens como ela. “Nossa pesquisa é vívida, porque nós saímos de lá de dentro mesmo”, conta Marli. Viviane, sua vizinha e parceria na pesquisa, concorda: “O relatório não é nenhuma historinha inventada por nós, é a nossa realidade”.

Passando em revista sua própria geração, a trinca formada por Marli, Viviane e Marcileide descobriu números acabrunhantes. Elas entrevistaram 42 moças que haviam sido agredidas ou violentadas. Dessas, apenas duas deram algum tipo de queixa formal. “A situação é mais acobertada quando a violência ocorre dentro de casa: raramente o fato chega ao conhecimento da comunidade, apenas as pessoas mais próximas ficam sabendo”, escreveram no relatório.

Lembranças do lado de lá – Capão Redondo

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No Capão Redondo, um bolsão de pobreza notório pela violência, o objeto de estudo de um trio de garotos foi a falta de opções de lazer. Roberto Camargo, um dos jovens estudiosos do tema, não vai ao cinema há mais de um ano pelas mesmas razões da maioria de seus vizinhos: quando tem algum dinheiro, dificilmente suporta pegar dois ônibus e gastar pelo menos duas horas à sala de projeção mais próxima.

Depois de ouvir a vizinhança, Roberto consolidou os argumentos para pleitear da prefeitura a construção de um centro cultural no Capão: “Não é porque é um balé russo que vai ser melhor para nós. Se o governo investe milhões para trazer grandes apresentações para São Paulo, não vai ter dinheiro para fazer um teatro aqui?” E, a julgar pela pesquisa do grupo de Roberto, Rogério e Rui, não seria necessária nenhuma verba muito gorda: 98% dos jovens entrevistados aceitam trabalhar como voluntários na construção de um centro cultural no lugar.

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