segunda-feira, 8 de outubro de 2001
Por SuperUser Account Ligado
Ana Paula, Cléia, Daniela, Luciana, Marcileide, Marli, Priscila, Roberto, Rogério, Rui, Valteir e Viviane têm muita coisa em comum. São todos jovens, pobres, moradores de bairros da periferia da zona sul de São Paulo e, principalmente, autores do Relatório de Cidadania. A obra reúne, em alguns números e muitos depoimentos, um generoso apanhado do que os jovens do subúrbio pensam sobre os direitos humanos que teoricamente lhes cabem. Recém saído da gráfica e a caminho das autoridades, merece um lugar na mesa de trabalho – senão na mesa de cabeceira - de qualquer candidato a governar uma cidade ou um estado do Brasil. Aliás, é útil a quem pretende governar o país.
Os garotos se valeram de alguma metodologia científica e muito jogo de cintura para ouvir centenas de outros jovens em seus respectivos bairros. O projeto Observatório de Direitos humanos foi imaginado pelo pessoal do Núcleo de Estudos da Violência da USP e realizado em parceria com o Instituto Sou da Paz. Juntos, deram aos garotos o suporte acadêmico e financeiro para ir atrás das respostas.
No começo, os jovens aplicaram questionários para descobrir qual era para seus pares o direito mais usurpado. No Jardim Ângela, ganhou a segurança. No Capão Redondo, o acesso à cultura e ao lazer. Trabalho e desemprego foi a escolha do Jardim Jacira. Na favela de Heliópolis, a educação. Sabendo disso, foram atrás das entrevistas com uma desenvoltura pouco vista em outros pesquisadores. A razão é simples: morando no lugar e fazendo parte das mesmas turmas, são capazes de analisar os problemas e discutir propostas com uma intimidade que os forasteiros levariam a vida inteira para conseguir.